"Do pessimismo ao otimismo"

Belo Horizonte | Quinta-feira, 10 de novembro de 2016 - 17h 06 - Atualizado às 17h 35

Nos últimos meses, o Brasil escreveu novos capítulos em sua história. A cassação do mandato presidencial de Dilma Rousseff foi tema estampado em todos os jornais do mundo. Depois do turbilhão pelo qual passou o cenário político brasileiro, inúmeras dúvidas pairam sobre as cabeças de milhões de brasileiros. E agora? O desemprego vai diminuir? O dólar e a inflação vão se estabilizar? É difícil fazer qualquer previsão porque os problemas do País são estruturais e não vão desaparecer de uma hora para a outra por causa de uma mudança de governo. A gravidade do quadro econômico herdado do governo passado é tamanha que nós, brasileiros, devemos apenas torcer para o sucesso dos atuais governantes. A saída da crise exige unidade e sintonia de todos para que as forças se recomponham e possamos, juntos, retomar o crescimento.


Esperança e força de vontade não nos faltam, disso sabemos bem. As coisas estão mudando e aquele cheirinho de coisa boa circula por aí e o mundo todo respira desse mesmo ar. Apesar de alguns indicadores mostrarem melhora ou um recuo menos intenso, não é hora de comemorarmos e cristalizarmos nossos esforços em um cenário que ainda está associado a um momento político que não deixou claras as estratégias para a manutenção do ambiente econômico, principalmente pela geração sólida de emprego e, consequentemente, da valorização da renda.


Por meio do Boletim Focus do Banco Central do Brasil (BCB), é possível ver que muitos acreditam que, somente em 2017, teremos uma retomada gradual da economia no qual o Produto Interno Bruto crescerá 1,20% contra uma queda de 3,31% que é a expectativa para o ano de 2016. Além disso, eles esperam que a Taxa Básica de Juros – SELIC atinja o patamar de 10,75% em 2017, sendo uma taxa 2,75 pontos percentuais abaixo da esperada para 2016. Além disto, a inflação, conforme a Ata do Copom – BCB, mostrou-se mais favorável que o esperado, em parte em decorrência da reversão da alta de preços de alimentos. As expectativas de inflação apuradas para 2017 recuaram em torno de 5,0%, e seguem acima da meta para a inflação, de 4,5%. Mediante tais sinalizações, o Copom concluiu que a evolução das projeções no cenário de referência no horizonte relevante, que abrange os anos-calendário de 2017 e 2018, indica haver espaço para flexibilização gradual e moderada da política monetária, apesar de haver limites frente às projeções de mercado.


Neste cenário encontra-se o comércio que, por sua vez, foi responsável pela geração de R$ 296,5 bilhões de Receita Bruta em 2014, respondendo por 9,1% do total, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Neste período, o comércio lojista possuía 203.198 estabelecimentos que geravam cerca de 1.187.466 empregos. Se dividirmos a Receita Bruta por dia, em média, o comércio lojista, gera R$ 1,0 bilhão por dia. Esses números evidenciam sua importância para toda a cadeia produtiva que, por sua vez, mantém-se no papel de intermediador entre indústria e consumidor final. Mesmo assim, o comércio e, também o setor de serviços, estão sofrendo duramente para manter sua dinâmica empresarial. Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados - CAGED - Ministério do Trabalho e Emprego - MTE mostram que esses setores estão gerando postos de trabalho enquanto as outras atividades estão os perdendo.


Contudo, estamos profundamente preocupados com os impactos destrutivos do conjunto de Projetos de Lei, recentemente encaminhados à Assembleia Legislativa, propondo a criação e o aumento do valor de taxas, aumento de alíquota de ICMS e aumento de alíquotas de IPVA. O foco deveria ser a desoneração tributária e isenção de juros e multa referente às dívidas das obrigações legais com o intuito de estimular o desenvolvimento econômico, principalmente para comércio que é a base de toda movimentação das mercadorias aos consumidores e é aquele que, no meio das crises, mantem-se proativo e criativo na manutenção de suas atividades e na geração de emprego. Esse fator é que garantirá a solidez da estrutura econômica a deixando menos vulnerável a externalidades políticas e econômicas.


Tais medidas são totalmente incompatíveis com o momento atual e, como brasileiros, esperamos atitudes íntegras que visam o fortalecimento geral da dinâmica empresarial e não o enfraquecimento. É importante ressaltar que, pequenos investimentos no comércio proporcionam efeitos imensamente positivos em toda a cadeia produtiva, principalmente na indústria que, conforme a pesquisa “Indicadores Industriais de Minas Gerais” da FIEMG, amargou perdas em seu faturamento da ordem de 14,3% no acumulado de janeiro a setembro de 2016. Por outro lado, o Comércio Ampliado de Minas Gerais celebrou crescimento de 4,2% no acumulado até agosto - IBGE, um valor regular diante de toda a capacidade que nosso comércio possui de fazer acontecer e de criar.


Nesta direção, ratificamos nosso compromisso com a defesa da ampliação e universalização dos direitos e das políticas públicas, do desenvolvimento econômico, do fortalecimento dos movimentos sociais e da participação em espaços estratégicos, que se propõe a trabalhar ativamente a favor das questões do comércio lojista, pois acreditamos no enorme potencial do Estado. Esperamos também que o governo reafirme em suas ações o compromisso com o desenvolvimento econômico inclusivo, integro e social, a fim de que a prosperidade econômica possa ser alcançada.


Precisamos nos ajudar! Assim poderemos criar um ambiente mais propício aos negócios com a valorização das nossas potencialidades internas. Sair dos limiares pessimistas para agirmos frente ao otimismo. Com certeza, teremos uma mudança de postura empresarial que contaminará a todos de tal modo que até nossos posicionamentos e nossa capacidade de identificar oportunidades, mudarão totalmente. Somente unidos poderemos blindar nossa Minas Gerais e torná-la um ambiente frutífero para as atividades econômicas e, consequentemente, para o crescimento da nossa maior riqueza que é nosso capital humano.

 

Um abraço,
Frank Sinatra
Presidente da FCDL-MG

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