Urgência do novo

Belo Horizonte | Terça-feira, 13 de dezembro de 2016 - 13h 23

Os hipercentros das grandes cidades de Minas Gerais não são mais os mesmos. Estamos vivendo em um momento que são nítidos a falta de investimentos e cuidados com aqueles que, há cerca de 5 anos, podiam ser considerados um dos principais motores responsáveis pelos expressivos fluxos dos negócios e pela atração de novos e potenciais acordos, vendas e parcerias que eram capazes de manter viva qualquer economia local. Essa é, de longe, a pior consequência de um quadro de desaquecimento econômico atrelado a uma desconfiança no cenário político. E aí, é isso mesmo? Vamos continuar cristalizando nossos sentimentos pessimistas em um ambiente cercado de marcas do negativismo e da falta de trabalho conjunto? Vamos deixar que o desemprego, que os altos preços, que a redução da renda, que a redução da confiança e o crédito restritivos embacem nossa capacidade de sermos criativos e de gerarmos soluções? De lutarmos por um município pujante no qual cada liderança local faria sua parte para a construção de um Estado robusto?




Ao visitar os grandes centros observei uma redução drástica do movimento das pessoas, não somente na Capital, mas em todo o interior de Minas Gerais. A falta de atrativos e cuidados com os locais são evidentes. Desrespeitos no trânsito, fios elétricos e de telefonia caídos na rua, árvores sem as devidas podas, má iluminação, retorno dos moradores de ruas, menos policiamento, violências, drogas, estabelecimentos fechando, vários locais com placas de “aluga-se” ou “vende-se” formam um arcabouço que se torna o vilão de toda mobilidade urbana e isso resulta na desintegração dos locais em termos físicos e em termos abstratos.




Realmente a situação não está fácil. Temos uma carga tributária que atingiu 32,66% do Produto Interno Bruto – PIB de 2015, considerada uma das maiores da América Latina e do Caribe. A burocracia imposta juntamente com os problemas estruturais de um sistema político-econômico incompatíveis com os momentos atuais, pesam drasticamente em todo o desenvolvimento local, na manutenção do que conquistamos e em todas as formas de empreendedorismo, tornando inviáveis possíveis projetos e negócios que poderiam alcançar bons resultados. Toda cadeia produtiva e todos os indivíduos de todas as classes sociais, sem distinção, são afetados diretamente ou indiretamente por essas variáveis.




Não basta nos manter em uma situação cautelosa esperando que o cenário se reverta e que os tempos de bonança retornem como antigamente. A vida mudou! E com ela nossas maneiras de viver e de nos relacionar, de se informar e de interagir, seja de forma pessoal ou comercial. Por isso, não podemos ficar de braços cruzados. Reforço sempre que, quando o comércio não vai bem, a economia também não vai estar. É muito preocupante vermos que uma quantidade assustadora de empresas está fechando suas portas por não suportarem a elevada carga tributária, o excesso de encargos e os elevados juros bancários. A falta de incentivos para efetivação de investimentos, tanto para expansão como renovação/manutenção, agrava o quadro das empresas que podem chegar ao seu fim, significando menos emprego e menos renda.




Às vezes nos esquecemos do quanto nós, comerciantes, micro e pequenos empresários, somos importantes para nossa cidade, para nosso Estado e para nosso País. Temos que nos orgulhar muito, pois o comércio gera empregos, colabora significativamente com a geração de riqueza e, consequentemente, ajuda a fortalecer a economia. Nossa atividade é vital para a economia de uma nação. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, o Comércio Varejista, em 2015, respondeu por 33,5% dos 513.148 estabelecimentos existentes de todos os portes em toda a cadeia produtiva de Minas Gerais e que foram responsáveis pela geração de 17,4% dos postos de trabalho do total de 4.821.116 postos de trabalho do Estado. Mesmo com toda essa capilaridade e desenvoltura para se reinventar perante a cada particularidade do cenário econômico, de janeiro a setembro de 2016, conforme dados do CAGED, o varejo de Minas Gerais admitiu 235.174 pessoas frente à demissão de 262.501, resultando em uma extinção de 27.327 postos de trabalho.




Temos que nos unir para um Movimento Lojista com vistas a buscar a merecida atenção especial ao setor de comércio e a importância da revitalização dos que já foram chamados hipercentros. Hoje, qual é a atratividade de nos deslocarmos para esses grandes centros, que estão mostrando sinais de abandono e da rigidez estrutural para a manutenção dos negócios? Que tenhamos o compromisso de buscar por políticas e ações que contribuam com o desenvolvimento do setor, essencial para o desenvolvimento de nossas cidades. Somente assim, iremos ter forças para revitalizar e melhorar toda a mobilidade urbana em todos os grandes centros comerciais de nossos municípios. O que torna a cidade viva é o comércio. É desnecessário, mas, importante reforçar, que a atividade precisa dessa união para a construção desse alicerce íntegro e sinergético para obtermos resultados eficientes e eficazes.




Enquanto permanecermos nos vícios e padrões de negócios, também estaremos incompatíveis com a realidade. Está passando da hora de estimularmos o novo, digo, a inovação! Tanto nos serviços que ofertamos quanto na nossa maneira de gerir. Na ata do COPOM ficou evidente que a economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego. Por outro lado, o processo contínuo de distensão do mercado de trabalho e a desaceleração significativa da atividade econômica podem, a princípio, produzir uma desinflação mais rápida (por exemplo, no setor de serviços) que a refletida nas expectativas de inflação. O que estamos esperando? Novos produtos e novos serviços sem os devidos planejamentos e estudo de mercado consumidor? Conforme a própria ata, temos um alto nível de ociosidade. Ou seja, temos espaço para criar com consciência e conhecimento dos nossos limites físicos, estruturais, externos e interno.




Pontuo ainda a importância da sazonalidade do calendário atual que, em menos de 40 dias, teremos a chegada da melhor data para o varejo: o Natal. Estamos passando da hora. Não dá mais para esperar. É neste momento que devemos colocar em prática as estratégias de vendas baseados nas revisões dos planos de ações e orçamentários que, por sua vez, puderam ser testados e medidos no Dia das Crianças com o objetivo de obtermos os melhores resultados. Repense seus estoques e seus preços em conjunto com suas despesas fixas e variáveis. Valorize seu time - sem eles sua loja está fadada ao fracasso. Racionalize seu fluxo financeiro com objetivos proporcionais à sua capacidade atual. Conte ainda com as temporárias revitalizações advindas do período natalino, que são os enfeites e campanhas de Natal, para que, somadas aos nossos esforços individuais possamos mitigar as externalidades negativas e potencializar nossa vocação. Faça sua parte da melhor forma possível. Não caia em um círculo de conforto. Mais uma vez impero: é preciso estimular o novo!
 

 



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