Foque ou desfoque, escolha sua opção!

Belo Horizonte | Quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017 - 16h 08

A vida como ela é! Primeiro temos a aprovação do limite dos gastos do governo. Logo após, surgem projetos de leis apresentando reformas fiscais. O funcionalismo público, com dimensões continentais, vive a falta de pontualidade nos compromissos com a sociedade e com ele mesmo. Em seguida, temos sinais de flexibilização da política monetária. A inflação começa a flutuar mais perto do centro da meta. Os novos Refis ou as reestruturações dos antigos prometem melhorar o pagamento das dívidas de obrigações por meio da dilatação de prazos e menos descontos, o que não se torna muito efetivo frente as formas de gestão atuais das empresas.

 

 

A nova estrutura política começa a tomar posse e, desta vez, de várias formas. A liberação do FGTS, em meio ao furacão de mudanças, na expectativa que o consumidor compre e não poupe. O consumidor mostra sinais de confiança, mas está mais investidor do que comprador. As empresas fazem liquidações e utilizam as mesmas formas de trabalho, seguindo tradições, na tentativa de acertar qual é a preferência do consumidor mais informado e mais ávido por mudanças.

 

 

A história está mudando em diversos níveis estruturais. E... Onde estávamos focando mesmo? Na sobrevivência ou no entendimento do cenário? Na gestão de um país pautada na primeira regra que é o planejamento e a construção de um alicerce para um crescimento virtuoso ou em uma sessão de medidas feitas pelos atores da economia e da política na sorte do acerto e na esperança de não errar? Até quando ficaremos à margem disso? Será que continuaremos a olhar para tudo aquilo que queremos e não para o que tem que ser feito para transformar o quadro geral? Mais uma vez digo, qual o foco?

 

 

É uma pena que nem todas as ações tenham aplicações imediatas, o que dificulta apurar, reajustar, refazer e recomeçar. O ano de 2017 inicia-se com uma responsabilidade imensa: ser o ano que, finalmente, fecharemos com saldos positivos. Passaram-se as liquidações iniciais de início de ano e os resultados não foram os melhores. E nesse cenário, ainda existem empresários esperando passar o Carnaval para começar a trabalhar. Em meio a tanto trabalho e a tantos pontos que devem ser revistos, isso se torna a pior atitude neste momento.

 

 

De acordo com o Caged - Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, Minas Gerais extinguiu 117.943 postos de trabalho no ano de 2016. Em termos nacionais, foram extintos 1.321.994 postos de trabalho nesse mesmo período. É imprescindível fortalecer nosso mercado de trabalho para que os resultados esperados sejam obtidos. Como crescer sem absorver tais pessoas? Como voltar a colher benesses de um crescimento sem essa força que, quando empregada, conseguiu arduamente contribuir para o desenvolvimento econômico em um cenário que estava e continua longe de ser o melhor?

 

 

Para as empresas, entender o caminho se torna cada vez mais difícil. Para o consumidor, o excesso de cautela gerado por uma herança dominada pelas corrupções e erros na condução da economia, que, por sua vez, alimenta a falta de vontade de se desenvolver e a ausência de intenção de compra.

 

 

Enquanto isso, o Copom deixa bem claro em sua Ata: “A economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego. A atividade econômica segue aquém do esperado, inclusive no último trimestre de 2016, e que sua retomada deve ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente. A inflação tem se mostrado mais favorável, o que pode sinalizar menor persistência no processo inflacionário. O processo contínuo de distensão do mercado de trabalho e a desaceleração significativa da atividade econômica podem produzir desinflação mais intensa”. Medidas de efeito a longo prazo são realizadas e o hoje, mais uma vez, fica para o amanhã. Mesmo assim, com ações e reações sem os devidos planejamentos.

 

 

Pronto! Chegamos onde queríamos. Onde está o planejamento que tanto pregamos para as empresas e para o consumidor? Nós, como os dois lados da vertente – consumidor e empresários - temos que fazer nossos planejamentos focados em uma gestão eficiente e eficaz. Isso não desobriga que as ações externas, vindas do nosso governo, devem ser aleatórias e reativas. Falta um norte e um objetivo claro. Não podemos ficar expostos a um leque de propósitos que levam a pontos específicos sem resultados efetivos. Com tantas opções e decisões que temos que tomar, no mínimo, aprendemos bastante. Com nossos erros, infelizmente, e nossos acertos. Contudo e neste cenário, é preciso saber o que estamos fazendo e com o que estamos lidando, além de estarmos atentos a quaisquer eventualidades. Devido a esse emaranhado de ações, situações e atores, não podemos entrar “alegres” neste mercado sem o devido preparo estrutural, físico e sem o planejamento.

 

 

E o Carnaval? Em qual tendência estará? O foco, neste momento, além de ser o planejamento mútuo entre o público e o privado, deve ser a promoção e a divulgação de Minas Gerais. Não poderia terminar sem dizer que essa é uma importante ferramenta para fomentar o turismo, melhorando a qualidade de vida das comunidades e a geração de emprego e renda de todo o Estado. Quando pensamos de forma ampla, temos a perfeita noção de que essa comemoração é um dos diversos acontecimentos que farão feriados prolongados em 2017 e que serão capazes de aquecer os 52 setores, direta ou indiretamente, da economia, caso seja trabalhado com a devida atenção, e é disso que estamos precisando. Vale dizer que na maior parte das cidades, o setor terciário é impulsionado pelo fluxo turístico. Temos que ter esse fortalecimento de nossa Minas Gerais.

 

 

É para essas e outras que o Movimento Lojista tem se preparado e se fortalecido. Hoje, não adianta ficar pegando as externalidades e as tratando como se fossem atitudes solitárias ou apenas ferramentas fortes para desfocar nossos objetivos e nos levar para outras dimensões que garantem soluções efetivas enquanto a anterior fica no porão. O grande problema de reformas que tardam como as reformas tributária, trabalhista, fiscal, dentre outras ficarem no porão, é que, quando saírem nunca sairão da mesma forma que entraram. A despeito desses problemas, temos também a falta de visões amplas que trabalham apenas o momento, como o Carnaval, e esquecemos de todas as outras que estão para acontecer. Assim, pergunto mais uma vez, qual o foco - ou seria o desfoco, da vez?

 

 

*Texto publicado no jornal Diário do Comércio em 01 de fevereiro de 2017.

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